segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Outra Vez...


Você vai me esquecer, em alguns minutos esquecerá quem sou, um brinde ao esquecimento. Te enganei, não me desculpo, não me arrependo, sei que vou continuar enganando, faço isso costumeiramente, não me castigo por isso, o que tenho não me agrada, o corpo que se move por fora de mim não me agrada. Sou repetitivo eu sei, mas não saberia ser de outro jeito, me condicionei a ser aceitável, estou no meio de uma multidão, sou só mais um entre tantos, você não saberia me encontrar e se eu morresse você não sentiria minha falta. Vou morrer, morrerei amanhã, no meu velório quero que sirvam chá de limão com alho, não quero flores. Outra vez... Mais uma vez, estou confuso, não sei o que falar ou dizer, é a mesma coisa? Nos meus delírios noturnos assumo outras personalidades, hoje não posso ser eu, cabeça, corpo e mente, meus pensamentos se dissolvem em velocidade constante, oscilante, cintilante, estou à beira de um suicídio involuntário, caminhando rumo ao nada, destruo tudo que é belo por onde passo, a beleza me incomoda, você é belo demais, é feliz demais... Farei manifestos contra a felicidade, abaixo a felicidade sem razão, despropositada, tenho e quero e tenho direito de ser infeliz. Eu sou feliz, eu sou muito feliz... E os manifestos estão fora de moda, eu estou fora de moda. Façamos um brinde, mais tem que ser à minha maneira, Levanta o copo, olha no meu olho, pede o que mais deseja, olha no meu olho, brinda, olha no meu olho, põe o copo sobre a mesa e esquece tudo que foi dito. Você treparia comigo? Não, não treparia, você precisa de motivos, razões, eu preciso de vontade, disponibilidade, eu não estou disponível, você não sabe me encontrar, você quer verdade, sou banal demais para você, eu sou difícil, sofro de alucinações constantes, eu sou muito difícil, faço charme, eu sou difícil demais, para me ter basta dizer: Oi...! Mas você não vai me ter, o amor que tenho é líquido, ele é feito em suor, nasce na minha testa, caminha pelo meu rosto, percorre meu pescoço, caminha pelo meu braço e morre na palma da minha mão. Minhas paixões são seculares, um brinde a meus eternos amores de um segundo, minhas ilusões açucaradas. Vou embora, você não vai mais me ver, não quero que me veja, estou começando a ter sentido e não gosto disso, vão descobrir que sou, não posso mais ficar, o dia está acabando e vou morrer amanhã, serei esquecido, em alguns minutos você esquecerá quem sou.

Dario Dariurtz                                                     Foto: Velma Zed

5 comentários:

Ácido em Frascos disse...

assino o abaixo.
e me alisto ao manifesto.

Ácido em Frascos disse...

assino o abaixo.
e me alisto ao manifesto.

. disse...

Mas você não vai me ter, o amor que tenho é líquido, ele é feito em suor, nasce na minha testa, caminha pelo meu rosto, percorre meu pescoço, caminha pelo meu braço e morre na palma da minha mão. Minhas paixões são seculares, um brinde a meus eternos amores de um segundo, minhas ilusões açucaradas.

Ao ler tal excerto, que reflete bem a nossa contemporaneidade, lembrei do livro Amor Líquido do sociólogo Zygmunt Bauman, você já leu? [link para download: http://www.mediafire.com/?q9ws1k9jx21td9s]

Abraço,
Ane

Malu disse...

Verdade , Dario.

Há sempre que se rasgar o coração.

Bjo.

silvia moura disse...

Escrever é tirar sangue de pedras.É um ato desenfreado contra a solidão,é um exercício de existir.Salve aos que se colocam a disposição,os que se arriscam, SALVE!!!!!